Sair do casulo
Quarta, 25 de Maio de 2016
O Sebastião vai para o primeiro ano. PRIMEIRO ANO. Como é que é possível os últimos 6 anos terem voado desta maneira? Estou aterrorizada não só com o que vem aí, mas pelo facto de o meu filho sair do casulo assim de repente. Não quero cortar esta última réstia de cordão umbilical. Não quero que ele cresça. Será muito egoísmo da minha parte? Talvez, mas a sensação de ter um filho pronto para a selva da vida traz-me uma insegurança incalculável. Já não vai estar sempre sob a minha asa de Mãe Galinha, já vai saltar da minha bolsa de Mãe Canguru. E logo eu, que queria ficar com os 3 pequeninos para sempre, bem ao estilo Peter Pan. Para quê crescer, se a infância é tão feliz? O meu coração bem apertadinho diz-me que é a lei da vida. Mas as leis por vezes não são cumpridas, certo? Então porque não quebrá-las, sem sequer olhar para trás? Pela primeira vez na minha vida sinto-me verdadeiramente impotente, com a sensação de que não vou mais poder proteger o meu filho dos miúdos grandes, das suas tropelias, dos malabarismos constantes, e das dificuldades de aprendizagem que vai sentir todos os dias. Será que vai conseguir superar todos esses obstáculos com distinção? Será que vai conseguir abrir a sua cabeça, e acompanhar com o seu coração? Bem sei que não vale a pena sofrer com antecipação, mas esta incerteza do que aí vem, este medo do desconhecido, toda esta ansiedade, apoderam-se de mim como autênticas lapas, sem dó nem piedade. O meu Sebastião pequenino está a crescer, a medrar, a amadurecer, a esticar, e esta Mãe não está preparada para o largar. Ai isso é que não está!

Porque não é só o seu coração pequenino que bate ali, bem baixinho. O desta Mãe também lá está, mais apertadinho do que nunca.

Partilhado por Francisca Ortigão Guimarães

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