Que nada mude
Sexta, 21 de Dezembro de 2018

Todos os anos, por esta altura, gostamos de nos encher de juras e de promessas. Este ano, para variar, vou pedir que nada mude. Acreditem, é o mais difícil. Mas pedir que nada mude é bom sinal. É sinal que estamos bem. Mesmo que não seja esse o nosso melhor. Mas estamos felizes assim. Cheios de amor.

Este ano o Zé Maria entrou para a escola. O Manel para a primária. O Sebastião também teve um arranque de ano lectivo difícil. Tive de mudar de loja e de tudo em pouco mais de um mês. Vários desafios profissionais, que me deram alguns cabelos brancos. No verdadeiro sentido da palavra. Mas, de resto, foi tudo tão bom. Viagens. Amor. Temos saúde. Temos paz. Não quero que nada mude. Jamais.

Quero continuar a ter pouco tempo para fazer tudo. Porque é sinal que tenho tanto. Quero continuar a querer acordar mais cedo e não me conseguir levantar. Porque é sinal que todos os dias tenho 1001 post-its para riscar. Quero continuar a gritar de vez em quando com os meus filhos Porque é sinal que a minha família é imperfeita e barulhenta. Quero continuar a poder discutir com o meu marido. Porque é sinal que lutamos pelo nosso casamento. Quero continuar a querer mudar alguma coisa em mim. Porque é sinal que continuo a gostar do que vejo ao espelho, apesar de tudo. Apesar de nada. Quero continuar a sonhar com viagens, dias bons e passeios. Porque é sinal que muitos sonhos se tornam realidade, não importa a crença ou a idade. Quero continuar a querer trabalhar no duro. Porque é sinal que gosto daquilo que faço. Juro! Quero continuar a fazer das tripas coração para poder ir jantar com as minhas amigas. Porque é sinal que as tenho. Boas e antigas. Quero continuar a desdobrar o nosso Natal em casa de todos os avós. Porque é sinal que estão bem e perto de nós. Quero continuar a lutar pela minha felicidade. Porque é sinal que não desisti. Essa, é a verdade.

Por isso, neste Natal, neste ano novo que se avizinha, eu só peço que 2019 seja tão bom e tão mau quanto foi 2018. Porque é sinal que a minha vida está completa. Caoticamente bem resolvida. E com tudo isso, a felicidade, ainda que não seja plena, é certa. E tão preenchida.

 

Partilhado por Francisca Ortigão Guimarães

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