Minimalistas
Sexta, 16 de Novembro de 2018

No outro dia vi um documentário acerca deste tema. Tocou-me profundamente. No meu inconsciente, já vinha a trabalhar este exercício mental e físico há já algum tempo. À minha maneira.

Sou cada vez mais alérgica a tralha. À tralha das coisas. À tralha das pessoas. À tralha das casas. À tralha das paisagens. Gosto de coisas simples. Feitas com amor. Sem interesses ou duplas intenções. Gosto de pessoas transparentes. Com bondade no coração. Gosto de casas cosy, mas com peças únicas, sem poluição visual ou cores berrantes. E gosto de paisagens naturais. Alucinantes.

A verdade é que nunca comprei por comprar. Nunca gastei por gastar. Só invisto naquilo que é necessário para mim e para os meus. É claro que tudo isso é um pouco subjectivo. Mas quando compro, sei que não é por impulso ou mera satisfação. Penso. Faço contas. E depois uso a razão.

Vou aprendendo com o tempo que a felicidade não está no imediato. Nas coisas materiais. Podemos estar sempre no último grito da moda. Mas se não estivermos bem resolvidos com nós próprios, do que vale gastar tempo e dinheiro com essas "coisas"?  

Quanto mais cresço mais aprendo que a felicidade não se vê. Sente-se. E que o amor está nas pequenas grandes coisas que nos rodeiam. E que não se compram. 

A tralha preenche as nossas casas e as nossas cabeças, mas não preenche o nosso coração. 

Cá em casa todos os anos, por esta altura, destralhamos a nossa vida. Brinquedos. Roupa. Maus pensamentos. Ansiedades. Tudo sai fora. Há quem precise de alguma da nossa tralha. A outra, vai directamente para o lixo da vida. Uma espécie de reset mental que nos faz querer começar de novo. Sem tralha.

Não é um exercício fácil. Pelo contrário. Requer coragem. Força. Determinação. Não é todos os dias que temos de deixar ir pedaços da nossa vida. Da nossa infância. Da nossa memória. Mas vale a pena. O resultado é fenomenal! Uma cabeça, um coração e uma casa organizados e prontos para receber o futuro. Guardando sempre as lembranças preciosas do passado. Mas sem tralha. 

[Por cá, ao destralhar, já estamos a pensar na nossa próxima viagem. Porque viajar também é descobrir. Faz bem à cabeça. E deixa o nosso coração fluir].

Experimentem fazer este exercício. Vão delirar com os resultados que irão saltar à vista! Juntem-se ao clã dos Minimalistas. E sejam felizes!


Partilhado por Francisca Ortigão Guimarães

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