Foi por ti
Terça, 21 de Maio de 2019

Foi um dos dias mais felizes da nossa vida. Nem a ameaça de frio e de vento estragou o tempo. Só me lembro que estava sol. E que estávamos numa azáfama tal que nem nos lembramos de levar nada para a igreja. Fomos como se estivessemos em casa. Sem carteira, telemóvel, casacos ou água. Esta Mãe fez parte do coro, o que ainda tornou mais especial o dia da comunhão do nosso Sebastião. Nunca, nos meus sonhos, imaginei que fosse um dia tão feliz e completo. Com ou sem muita fé, o que interessa é não perder o norte e acreditar. Sempre. Ultimamente tenho tido o dobro da fé que tive ao longo da minha vida. E acreditem, sou bem mais feliz e bem resolvida. E temos conseguido incutir aos nossos filhos esta vida cristã. Como se a nossa família tivesse ficado mais sã.

Por tudo isto e por muito mais, fomos a Fátima uns dias antes da comunhão do Sebastião. E aquela leveza de espírito da procissão das velas, encheu-me a alma e o coração. É muito mais do que fé. É muito mais do que religião. São as pessoas. As pessoas é que fazem a diferença. Quando acharmos que o mundo está perdido, reencontramos aqui o seu sentido. Lá, vi pessoas a agradecer pela vida, pela saúde, pelo amor. E eram talvez as pessoas que menos razões tinham para dizer obrigado e dar valor. Mas lá estavam. Firmes e seguras. Gratas e felizes. Foi uma lição de vida. Um balde de água benta. Nem o mais ateu de todos conseguiria ficar indiferente a esta união. As lágrimas caíram-me sem eu perceber porquê. Já sei!Porque vinham do coração. Ou talvez porque senti que era a primeira vez que estava a agradecer pela minha vida, por cada manhã. Pela sorte e pela saúde que temos. Em silêncio, e para mim própria, vi toda a minha vida em rodapé. Cheia de esperança e de fé. Vi o divórcio dos meus Pais. A vida dos meus avós. O meu casamento. Senti a primeira vez em que toquei nos meus filhos. Revivi as minhas viagens. O meu primeiro emprego. Vi todas as pessoas que já cá não estão e de quem eu sinto tanta falta, todos os dias da minha vida. Dei graças pela família que tenho. Pela saúde, lá está. E por tudo o que construí. Sei lá!

E foi com essa gratidão que assisti à primeira comunhão do meu filho Sebastião. Com todo e o mesmo amor que o vi nascer. E crescer saudável e feliz. Senti-me como se estivesse noutra órbita, a assistir a um episódio da sua vida, com um orgulho desmedido naquele meu miúdo tão querido. Foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes e felizes da minha vida. E relembro-o de lágrimas nos olhos. Com uma nostalgia que me enche o coração de conforto e emoção.

Foi por ti, meu querido Sebastião, que preparei este dia com tanto carinho e paixão. Foi uma festa simples, com um toque campestre, sem pretenciosismos - já sabem, como eu tanto gosto! Umas rosas aqui, umas espigas ali. Uma coroa de flores que nos encheu as medidas. O bolo mais simples e mais bonito que já vi em toda a minha vida. Um jantar em família feito com amor, e com muito barulho, gargalhadas, discussões boas e risadas. Crianças livres. Pais e avós felizes. E um miúdo da comunhão que não cabia em si de contente. E que não deixou ninguém indiferente. Não me lembro de ver o Sebastião tão ansioso com a chegada de um dia. Preparou tudo com a mesma devoção que toda a família. E disse-me, bem baixinho, que o melhor presente que tinha recebido, tinha sido o nosso passeio até Fátima. Não por isto ou aquilo. Mas por tudo. Por tudo o tanto que significou esta nossa experiência do outro mundo.


Obrigada meu querido filho, por me mostrares que o mundo não é o mar de rosas com que todos sonhamos, mas que podemos nadar nesse mesmo mar, com muito amor e sem medo de nos podermos magoar.

Partilhado por Francisca Ortigão Guimarães

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ver 1 comentários
Sofia Andrade de Carvalho
Muitos Parabéns pela comunhão do Sebastião. O bolo é lindo, de uma simplicidade maravilhosa. Pode-me informar onde é que o fez?
2019-05-21 23:12:12