Instinto Animal
Segunda, 24 de Julho de 2017

Cada filho é uma benção. Uma dádiva. Um verdadeiro milagre. Não há amor maior. Mais brilhante. Tão inexplicável. Eu sei que é cliché, mas mal recebi os meus filhos nos braços, logo soube que daria a minha vida por eles. Um pedaço de nós que vem cá para fora. Metade da nossa alma. Do nosso ser. É um instinto animal. Não se pensa. Sente-se.

Por isso. Por isso é que não entendo a quantidade de teorias, estudos e opiniões que há hoje em dia acerca da maternidade. Não minto. Já comprei um ou dois livros acerca de diferentes temas. Mas mal os comecei a ler, logo desisti. Senti que me estavam a impor algo. Só porque sim. Pois muito bem. Os filhos são todos diferentes. As famílias, essas, também. E, dentro da normalidade, do equilíbrio, e do bom-senso, cada família sabe o melhor para si e para o seu filho. Seja ele bebé, ainda miúdo, ou já graúdo. 

Não adianta dizerem que os bebés não devem ter colo a mais. Que devem chorar (porque só faz bem...) Que têm de adormecer sozinhos. Que nunca devem ir para a cama dos Pais. Nunca consegui ir contra o meu instinto animal. É algo que me corre nas veias. Tem uma pitada de sobrenatural. Não deixo os meus bebés chorar. Ponto. Nem que tenha de os embalar durante duas horas a fio. Nem que tenha adormecer de cansaço, só para que cada bebé possa sentir o calor dos meus braços. Nunca mandei um filho embora da nossa cama. E confesso, adoro saber que tanto nos ama. Dou mimo. Dou colo. Dou tudo o que uma Mãe e o seu instinto animal podem dar. Sem estigmas. Nem remorsos. 

Mas depois há o reverso da moeda. Sou humana. Perco a cabeça. Falta-me a paciência. E algumas são as vezes em que falo mais alto do que queria. Ok: grito. E não quero. Não gosto. Mas muitas vezes é mais forte do que eu. Perco a razão, bem sei. Mas com três filhos, Com três rapazes que se pegam como quem diz olá...não dá. Não dá para ser sempre politicamente correcta. Mea culpa. Não sou de ferro. Nem super-mulher. Nem sempre se é quem se quer.

Há fins de tarde geniais. Em que os miúdos cooperam. Há entreajuda. Percebem que a Mãe está cansada e não há um único ai. Transformam-se em noites calmas. Felizes. Lentas. Felizes (lá está). E depois há os fins de tarde caóticos. Em que há perrices. Há fitas. Há brigas. Há gritos. Meus. Deles. Nossos. O tal instinto animal no seu pior vendaval. 

E depois, quando finalmente se deitam. Quando vem o silêncio. Uma réstia de arrependimento invade-me o coração. E, com ela, enrosco-me nos meus filhos. Afago-os. Cheiro-os. Embebedo-me de paixão.

Só o instinto animal consegue explicar esta falta de racionalidade. Onde a cabeça pensa. Mas o coração impera. Onde a razão faz-se valer. Mas a emoção não quer sofrer. E mostra-se. Ruge como um leão. E depois se esconde atrás da tal razão.

Por isso, filhos do meu coração, perdoem esta Mãe se dá colo a mais, se grita demais, se protege demais, se ama demais,  e se pensa de menos. Se não age como mandam os livros. Se não segue os 10 mandamentos do não sei quê. Se não vive segundo os ensinamentos da teoria do porquê. Sabem que mais, vivo rodeada de amor. Dou. recebo. Por vezes sofro. Faço sofrer. Mas não vou nas cantigas do tem de ser. Aqui, é só o meu instinto animal que se faz saber.



Partilhado por Francisca Ortigão Guimarães

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