1001 noites
Segunda, 03 de Dezembro de 2018

Desta vez quis escrever a quente. Quando ainda sinto os cheiros. Os sabores. As pessoas. As cores. Há um misto de imundície e de magia no meio dos souks que nos encanta. Andamos em ruas escuras e sujas, no meio dos quelhos, das crianças e dos velhos escondidos em cada esquina, e de repente entramos na paz e na tranquilidade dos riads. Perdidos na imensidão de uma cidade luminosa mas, ao mesmo tempo, a rebentar de escuridão.

Há qualquer coisa que nos encanta em Marrakech. Não sei se serão os encantadores de serpentes na praça principal, se as lâmpadas mágicas e os tapetes voadores submersos nos souks. Não sei se serão as carnes secas penduradas ou os sumos de laranja e de romã a estalar em cada canto. Não sei se serão os mercadores, os guias do deserto, os vendedores. Sei que cada vez que vou a Marrakech venho enfeitiçada por todo aquele mundo novo que nos cativa a alma e o coração para todo o sempre. Um misto de assustador com avassalador. Isso mesmo. Uma sensação cuja palavra não existe. E, por isso mesmo também, faz desta cidade um dos nossos destinos de eleição.

Hoje vou sonhar com as terras de alibabá, os filmes do indiana jones, e as terras das 1001 noites. 

Esta viagem foi feita a dois. Entre amigos. Não levámos os nossos filhos. Fomos para o meio dos souks. Dormíamos num Riad super cosy, mas até lá chegar não era fácil. Um labirinto de cheiros e de sujidade que não aconselho a crianças. Se Deus quiser havemos de voltar em família, mas aí já não ficaremos na Medina. Vamos para um Hotel na zona de hivernage. Aí sim, própria para famílias. Não tão típico e genuíno, mas sem dúvida mais seguro. Não é que tenhamos sentido insegurança. Pelo contrário, achamos que o povo marroquino é caloroso e prestável. Mas estávamos num grupo grande. Vagueávamos pelas ruas da Medina às tantas da manhã. Se fosse a dois, ou em família, não faria o mesmo.

Fomos aos bares e restaurantes mais in e cool da cidade. Como não podia deixar de ser, conto-vos tudo!

Sítios familyfriend:

Le jardin: Um oásis escondido no meio da Medina, com mesas e cadeiras no meio da vegetação densa. Transporta-nos para um país tropical, onde até os papagaios são felizes. A cozinha é fabulosa. Experimentem os zuchini e deliciem-se com os sumos de fruta naturais.

Térrace des Épices: Lá lá tínhamos estado há dez anos e ainda soube melhor desta vez. Aqui a cozinha é mais marroquina, mas para o primeiro dia é uma óptima ideia, quando ainda não estamos enjoados das tagines e dos borregos com especiarias até mais não. O sítio tem uma pinta imensa e muito espaço para as crianças correrem.

Nomad: Também no centro da medina, no meio dos souks sujos e barulhentos, entramos na paz do café onde melhor comi. Não percam os pratos vegetarianos e os chás gelados de menta. Aqui também vi muitas famílias, e com bebés pequenos, sem medos nem preconceitos.

Café des épices: Talvez o sítio mais mítico de Marrakech, com a sua esplanada a perder de vista na imensidão do Atlas, lá bem ao fundo. Para mim, é talvez a esplanada mais fantástica. O único senão é que está sempre muito cheia e não é fácil de circular com tanta gente sempre a espreitar.

Para quem vai a dois, ou entre amigos, não podem também perder (para além dos sítios que já referi):

- Bo & Zin: Está no último grito há mais de dez anos, e percebe-se porquê. No verão, uma esplanada fresca e arejada, com um bar a condizer. No inverno, salas quentes e cosy, com lareiras em todos os cantos. A música aquece-nos a alma, e a cozinha alimenta-nos o coração. Ficámos por lá até às tantas da manhã, entre danças, cocktails, e uma noite verdadeiramente inesquecível.

Ling Ling: Situado em pleno Mandarin Oriental, ficámos logo embriagados com o luxo que o rodeia. Com peso e medida, tivemos a melhor refeição da nossa viagem - uma cozinha oriental que nos fez chorar e sonhar por mais. A envolvente é digna de honey moon, e a noite em si nunca mais nos vai sair da memória. Vale cada cêntimo gasto.

Royal Mansour: Para quando nos fartamos do barulho e imundície da medina, vale a pena andar dez minutos a pé para ir tomar um chá de menta a este hotel. A piscina é de cair para o lado, e o bar faz-nos sentir em casa. Mas com mordomias dignas de Deuses.

Para além de todos estes sítios do outro mundo, não se pode perder (com ou sem miúdos), o Jardin Majorelle, cuja imensidão de cores, vegetação e arquitectura nos deixa boquiabertos de beleza e vontade de por lá ficar. O Palais real também vale a pena pelos pormenores dos azulejos, jardins interiores, arcadas de perder a cabeça, e tectos trabalhados - de levar as mãos aos céus! Digno de pinterest.

Há tanto mais por dizer...

Por agora, deliciem-se com as fotografias que nos fazem viajar no tempo e no espaço para um mundo que achávamos totalmente perdido. Afinal, o Aladino existe. Esfreguem a lâmpada mágica e embarquem comigo nesta aventura.


Partilhado por Francisca Ortigão Guimarães

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